Na noite tépida,
O clarão do luar,
O cintilar das estrelas,
O balouçar das árvores;
Foram testemunhas de que
As turvas águas
Levaram meus restos.
Lembranças e memórias,
Temores e esperanças,
Sorrisos e lágrimas
Mergulharam fundo
Nas aquosas trevas
Do que deve ser esquecido.
Em vertiginosa velocidade
Afundaram rumo ao lodo
Pesados sonhos irrealizáveis,
Tais como metálicos objetos,
Eis cansados anseios.
Permanecerão ali em repouso
Por infindas eras,
Em silencioso segredo,
Cúmplices da minha libertação,
Todos os sentimentos perdidos,
Escondidos no fluido,
Olvidados do pensamento.
Contemplo sua imersão
Desaparecendo o que existiu.
Tudo o mais é ausência!
Ana Brida
29/08/2018
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
Faz Frio
Faz frio,
mas o suor brota dos meus poros ferventes.
Faz frio,
mas tiro sapatos e meias para sentir o chão.
Faz frio,
mas arregaço as mangas da camisa que me sufoca.
Faz frio,
mas caminho até as águas e molho os pés.
Faz frio,
mas deixo meu corpo livre ao labor do vento.
Faz frio,
mas desnudo meu ser dos tormentos marcados.
Faz frio,
faz sempre frio,
mas nem sinto mais...
Ana Brida
30/08/2018
mas o suor brota dos meus poros ferventes.
Faz frio,
mas tiro sapatos e meias para sentir o chão.
Faz frio,
mas arregaço as mangas da camisa que me sufoca.
Faz frio,
mas caminho até as águas e molho os pés.
Faz frio,
mas deixo meu corpo livre ao labor do vento.
Faz frio,
mas desnudo meu ser dos tormentos marcados.
Faz frio,
faz sempre frio,
mas nem sinto mais...
Ana Brida
30/08/2018
quarta-feira, 22 de agosto de 2018
Mosaico
Tal qual vaso
Pequeno e delicado
Tantas vezes de lugar trocado
Por mãos alheias tocado
Assim estou ao acaso.
Tal qual vaso
Com objetos distintos colocado
Ou em solitude deixado
Acumulando poeira do passado
Assim estou em descaso.
Tal qual vaso
Depois de tão mal manuseado
Por fim ao chão estilhaçado
Em pedaços fragmentado
Assim então extravaso:
Do caco me transformo em mosaico!
Ana Brida
21-08-2018
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