segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Quando Você Chegou

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Eu estava em paz
Adormecida das ilusões
Embriagando-me de solidão
Fugindo dos sentimentos
Esquivando-me do contato humano
Até você chegar...

Eu estava em casa
Quieta, entre músicas e vídeos
Entre literatura e álcool
Inspirada pela dor do vazio
Acostumada à minha realidade
Até você chegar...

Eu estava cética
Com relação à vida
Enclausurada na torre de marfim
Protegida pela fuga
Escondida no isolamento
Até você chegar...

Eu estava sozinha
Degustando a tranquilidade
Da ausência de emoções
Mergulhada em mim
Sem espaço para nada nem ninguém
Até você chegar...

E quando você chegou
Tirou-me a paz
Preencheu meu lar
Fez-me acreditar no amor
Com sua constante companhia
E já nem sei mais quem sou...

A.C. Brida
31/01/2017, 02:36

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Enquanto dormes...

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Silêncio no quarto
O único som a romper
É o teu ressonar

Deitado ao meu lado
Sonhas distante
Esquecido do mundo

A meia luz, insone,
Fico a te contemplar
Em tão íntimo instante

Acompanho teu peito
No suave respirar
E em ti me aconchego

Sinto teu coração bater
Forte e cadenciado
Transbordante de vida

E continuas a dormir
Sinto tua pele nua e pelos
Macios ao contato

Observo tua face
Tão linda e pacífica
Lábios entreabertos

Aspiro teu perfume
Que até quando não estás
Fica nos lençóis

Toda a tua visão
Enleva-me, embriaga-me
Preenche meu ser

Como um menino
Dormes em meus braços
E velo teu sono

Em alguns instantes
De tanta contemplação
Ímpetos me corroem

De acordar-te com beijos
Ou acariciar-te ternamente
Mas não consigo

Fico ali apenas a te olhar
Amando-te quietinha
Vivendo o doce momento.


A.C. Brida
27/01/2016 00:05

Dor em versos

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Meu corpo está febril
O alimento repugna à boca
Dor atroz permeia os membros
As têmporas latejam

Aflições da matéria
Mas que, em verdade,
Pertencem à agonia da alma
Devastada e desmantelada

Quando o caos o interior consome
Reflete em agonia externa
E não há bálsamo que alivie
Nem afeições que acalentem

A cama tal qual um sarcófago
Acolhe durante o tormento
Não vejo não ouço não falo
Apenas sinto-me corroer

Leva-me a estes estados
Emoções súbitas, pensamentos destrutivos
Lembranças boas perdidas
E más, do nada, recuperadas

Erros ao tentar acertar
Acertos não reconhecidos
Sentimento de impotência
Desalento, irritação ou cansaço

Mas, como tudo há de ter propósito
Também do delírio, da dor e da doença
Tiram-se profundas lições
Que transbordam em forma de versos.

Ana Claudia Brida
26/01/2017 23:22