segunda-feira, 17 de setembro de 2018

O Som de uma Voz

Soa o despertador.
Sonolenta, abro as pálpebras...
Silenciosa, permaneço na cama
Sentindo a maciez dos lençóis.

Surge um novo dia,
Sons adentram pela casa:
Sussurra o vento,
Sopram os pássaros seus cantares.

Segue a vida o percurso diário,
Sossego rompido pela agitação.
Sigo rumo às obrigações
Sincronizando canções ao volante.

Singelas, as horas transcorrem.
Sobrecarregada pelo barulho
Sórdido da cidadela,
Suprimir tento os pensamentos.

Sozinha, no lar, finalmente,
Soçobram os sons da noite,
Saem os gatos na surdina,
Serenatas entoam ao luar.

Sirenes se dispersam no além,
Sonhos embalam os inocentes,
Solitários trabalhadores estão por aí
Serviços prestando aos insones.

Sinto o cansaço a me tomar,
Solitária procuro o alento
Suave de uma voz perdida,
Só que se esvai da lembrança.

Silêncio funesto é tudo o que ouço,
Sibilando pelas paredes vazias,
Subindo até o teto,
Selando meus sentidos às trevas.

Sumiu há tempos da memória
Sonoridade do falar amado
Suprimindo o que sobrava,
Some gradativa na ausência.

Suplicante, busco algo encontrar
Se é que ainda exista, porém
Sinuoso e sorrateiro, o sono me alcança,
Sem permissão, a tudo desvanece!

Ana Brida
18 set. 2018
01h.48min.