terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Amor... Amarguras...

Resultado de imagem para abraço despedidaNão consigo olhar-te nos olhos
Porque em meus próprios
Refletem apenas dor e tristeza

Em minhas pupilas dilatadas
Há marcas e imagens
Que tua ternura não deve contemplar

Não consigo dizer-te o quanto sinto
Porque a chaga em meu peito
Purula, dói e me enche de temor

São feridas que custam a cicatrizar
E que não quero que te assustes
Ao encará-las em seu horror

Teu afeto, tuas carícias me despertam
Mais medo que doce entrega
Tamanho estrago conspurca este ser

Não sei como retribuir
Amor tão puro e generoso
Diante dos muros que construí

Foram tantas promessas não cumpridas
Sonhos desfeitos, mentiras e traições
Que meu ser incerto não sabe o que é o certo

Em teus braços ternos sufoco
E estremeço na ausência de mim
E no medo de ferir e ser ferido

Dúvidas e angústias me assolam
Mas sei que teu corpo no meu
Repercute prazer e dores agonizantes

Confiança estilhaçada,
Inseguranças, tormentos, noites insones
Que teus beijos me evocam

Alma desenganada,
Que não sabe mais amar
Ante a manifestação do amor treme e foge

Ao mesmo tempo em que
Quer amar e se entregar
Vibra de pavor, remói amarguras.

Como podes ainda assim
Amar e se enternecer
Por um ser pavoroso igual a mim?

A.C. Brida
28/12/2016
02h e 22min

Apenas Sinto

Resultado de imagem para sinto tristezaSinto um medo
Que me apavora
Em frente ao novo

Sinto um receio
De me entregar
Às emoções incontroláveis

Sinto uma ânsia
Em compreender
O que me faz temer

Sinto uma angústia
Que me impede
De expressar sentimentos

Sinto uma aflição
A me remoer
O peito em dor atroz

Sinto um torpor
A anestesiar
O que me sobrou de alma

Sinto inquietação
Por tantas dúvidas
Assolarem meus pensamentos

Sinto tão intensamente
Que palavras não são suficientes
Para aplacar o que me consome...

Apenas sinto
E muito
E só eu sei...


A.C. Brida
28/12/2016
02h 

terça-feira, 4 de outubro de 2016

A Pessoa Certa

Resultado de imagem para caminhar pela areiaPassamos pela vida
A espera da pessoa
Que fará a diferença
Em toda a existência
No entanto, tantas vezes,
Não nos apercebemos
Que a deixamos passar

Passar por que não enxergamos
Que era o que precisávamos
Em dado momento
Ou porque não tivemos forças
Para detê-la quando se foi
E a pessoa escoou por nossos dedos
Como grãos de areia

Sentimos assim a inércia
Das horas mortas
Do que poderia ter sido
E nunca foi nem será
Cogitamos a cada encontro
Com um novo alguém
Se a busca chegou ao fim

Tateamos corpos alheios
Enlouquecidos de desejo
E ânsia de ser o que nos preenche
Paixões, ilusões de momento
Que depois recaem no vazio
Vazio que conduz ao tédio
Tédio que leva a dor
Dor que gera angústias e dúvidas.

Caminhamos pela praia da solidão
Apenas com a sombra fugidia
A fazer companhia
Na noite em que até as estrelas fugiram
E o luar é tênue entre nuvens
Sentindo a falta de uma pessoa

Uma única pessoa
Capaz de nos fazer em pedaços
Revelando nossas fraquezas escondidas
Os medos mais guardados
As esperanças mais remoídas
E quem sabe para encontrar essa pessoa
Não seja preciso, primeiro,
Olhar para o próprio reflexo no espelho.

Ana Claudia Brida
05/10/2016

01h e 27

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Tudo Escureceu...

Resultado de imagem para DARK GOTHIC
Quantas vezes você tentou recomeçar
E pensou que pudesse acreditar
De novo em outra pessoa sem se machucar?

Quantas vezes promessas a escutar
Breves esperanças chegaram a lhe inculcar
Fazendo-lhe crer que fosse permitido sonhar?

Quantas vezes você saiu a encontrar
Pessoas, à noite, na mesa do bar
E as conversas fugidias ao luar?

O quanto tudo isso realmente lhe preencheu?
E quando cada mísera crença cedeu?
Quando seu sentimento no peito apodreceu?

Você sentiu que seu corpo morreu
E seu espírito já não era mais seu?
Tudo, mais uma vez, escureceu...


ANA CLAUDIA BRIDA
03 OUT 2016

09H

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Se existe alguém...

Resultado de imagem para pessoa sozinha a noite


Se existe alguém no Universo
Que consegue ouvir os gritos
Que rasgam meus pensamentos,
Que veja a tristeza, as mágoas e a dor que sinto
Em meu sorriso disfarçado;
Que consegue ler o que me corrói
Sem que eu precise dizer qualquer palavra:
Socorra-me!

Não há mais para onde fugir
Nessa vida falsa e pífia que sigo
Não há mais o que eu possa fazer
Para esquecer quem nessa aflição me colocou
Não há caminhos que eu já não tenha trilhado
Não há promessas que eu não tenha quebrado
Então, se tem alguém por aí que entenda:
Socorra-me!

As noites entorpecidas no álcool não ajudaram
Os remédios para dormir apenas por instantes enganaram
Os filmes, as músicas, a literatura não me acalentaram
Cair em braços estranhos e inanimados as dores não sanaram
Seguir trilhas, experimentar outros rumos não me encontraram
Cruzar o oceano, explorar outras realidades não me fascinaram
Então, Cosmos, se emite alguma luz que possa ajudar:
Socorra-me!

Socorra-me
De mim mesma
Dos meus pensamentos
Das minhas lembranças
Das minhas angústias
Da minha insônia
Do meu estafante viver...

A.C. Brida
21 set. 2016
01h e 10min.

Reciprocidade

Resultado de imagem para reciprocidade

As pessoas sempre nos dizem que
Devemos gostar de quem
Por sua vez, goste de nós.
Mas, amar alguém não é correto
Quando um só se dedica a tal ato;
É triste e dolorido
Quando se é o único a sentir,
Porém é leviano e sacrílego
Despertar em alguém
Um amor incapaz de se retribuir.
Ninguém deve gostar menos ou mais,
Ambos devem gostar por igual,
Pois só na reciprocidade há completude.
Se for difícil esquecer as tristezas
Deixadas por um amor que se foi
Ou nunca se correspondeu
Aquieta seu coração,
Fica quietinho,
Busca conhecer a si mesmo,
Experimente o mundo.
Não use uma pessoa para esquecer outra,
Não magoe por estar magoado,
Por mais que sinta um pouco de ternura,
Permita que esse outro vá
E encontre quem lhe corresponda,
Se não pode fazer isso no momento.
Não seja injusto com quem lhe devota afeição.
Não permaneça com alguém por compaixão
Ou medo de ficar só.
Nem sempre a solidão é um mal,
Muitas vezes, ela se faz necessária
Para aprendermos a amar a nós mesmos primeiro;
Assim, repletos de amor próprio
Estaremos capacitados a dividir esse sentimento.
Portanto, se for para amar
Ame e seja amado de volta!

A.C. Brida
21 set. 2016
01h

Poema Sombrio

Resultado de imagem para sombrio


Sinto meu coração vazio
Incapaz de experimentar
Novamente e ébrio
O fervor de amar.

Ouço o silêncio
Que vem a emanar
Do meu espírito doentio
Que não pode chorar

De pessoas desvio
Sem poder me afeiçoar
Mágoas, tristeza e frio
Estão a me dominar

Esse poema sombrio
Negativo no palavrear
Não busca refúgio
Apenas me faz divagar...


A.C. Brida
21 set. 2016
00h e 45min.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

"Velho Mundo"





















Tenho o coração apertado
Uma breve falta de ar
As mãos trêmulas
Na mente, um redemoinho

Efeitos da ansiedade
Que me corrói
E acalenta a esperança
De que tudo irá mudar

Atravessarei um oceano
Cruzarei os céus
Rumo ao desconhecido
Imaginado e sonhado velho mundo

Caminharei pela cidade eterna
Nos passos dos antepassados
Verei diante de mim
A imponência dos gélidos Alpes

Perderei-me na cidade das luzes
Em perfumes e sabores
E me arriscarei pela bela
Terra de Cervantes

E porque tão longe
Tentar se encontrar?
Cruzar o mundo
Nesse constante vagar?

Mais que um devaneio
É a possibilidade de esquecer
Alguém que foi preciso
Deixar para trás...

domingo, 4 de setembro de 2016

Erros

Resultado de imagem para pessoa triste

Os mesmo erros se repetem
Em sequência aparentemente interminável
Magoando a si mesmo e a outra pessoa

Abraçar e beijar alguém fingindo que a ama
Para tentar esquecer quem no passado
Deveria para sempre ficar.

Dizer palavras de ternura vazias para um
Quando para o outro
Estas fluíam com espontaneidade

Tentar de todas as formas e meios
Substituir um amor que nos feriu
E cada vez mais fracassar

Mergulhar em abismos
De solidão, de álcool, de aventuras
Que só aumentam o vazio

Envolver estranhos, boicotar-se
Negar para si próprio
Tudo em que um dia acreditou.

Fugir de si, fugir do mundo
E a cada elemento que surgir
Enxergar tudo o que não quer mais ver.

Dizer para si mesmo
Que o tempo tudo cura
Vendo que isso parece uma grande mentira

Sem saber mais o que esperar
Ou no que crer

Seguir, sempre, cometendo mais erros.

Indagações

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Quando a pessoa que se ama
É arrancada de si
Seja pela morte, vilã cruel
Seja pela vida e suas reviravoltas
Seja por outra pessoa
Seja por desinteresse
Ou até pelo fim do sentimento
Como se faz para sobreviver
A parte que ainda continua
A parte que fica e que sente
Mas é obrigada a se calar
Por força das circunstâncias?
Quando tempo dura o luto
Do ser amado que se foi
Mas que ainda pesa
Com suas lembranças?
Por que muitas vezes
Finge-se que há ódio
Quando é o amor
Que se esconde sob tal capa?
Por que apenas um tem de arcar
Com tamanha dor
Suportar o fado das dificuldades
Enquanto o outro
Deixou de existir ou se ausentou?
O que é mais complicado:
Sentimentos que insistem em permanecer
Ou pessoas e suas incoerências?
Será que quando é algo real e verdadeiro
Isso fica adormecido em nosso interior
E vez por outra escapa
Apenas para nos atormentar?
É possível esquecer alguém
A quem nos entregamos de todo o coração?
São tantas indagações
E nenhuma resposta...

Encontro Irreal

Resultado de imagem para abraço triste

Em uma realidade alternativa
Poderei tirar meu amor
Dos meus pensamentos
Das minhas lembranças
Dos recônditos secretos do meu espírito
E o abraçarei com toda a força que ainda me restar.

Tocarei em seus cabelos
Olharei no mais profundo dos seus olhos
Sentirei o perfume que ficou em meus dedos
Sorverei cada beijo como a abelha
Que experimenta o néctar da flor
E experimentarei por mais uma vez tamanha emoção.

Então não haverá mais dor
Não haverá mais solidão
E nem palavras serão utilizadas
Ninguém para impedir ou julgar
Apenas o suave sentir
Do perdão e do esquecimento

O dia se tornará noite
E nos esconderemos
De todas as crueldades do mundo
Para viver de nós mesmos
E de uma futura descendência
Felicidade que se completa.

Que seja um instante de devaneio
De loucura, divagações e insanidade
Mas que me faça ao menos pela última vez
Perceber que dentro de mim ainda há vida
 E ela pode florescer
Como nos tempos passados

Ou nos sonhos de uma dimensão inexistente.

Ausência

Resultado de imagem para tristeza e solidão

A marca de uma ausência
Insiste em martelar
O que me resta de consciência

De um amor a evidência
Deixada no ar
Assim como sua inconsequência

Revela a incoerência
Dor a devanear
Daquela sutil permanência

Que corrompe a existência
A me matar

Com sua maldita persistência.

Ainda me entristeço...

Resultado de imagem para tristeza e solidão
Ainda me entristeço
Com coisas que deveria esquecer
Ainda pareço
Um estranho e perdido ser

Ainda me entristeço
Com lembranças que insistem em aparecer
E cobram seu preço
Em um valor que nem sei dizer

Ainda me entristeço
Com um amor que não sei deixar morrer
E não tem endereço
E não mais poderei ter

Ainda me entristeço
Com o que nunca vou entender
Com recordações que me enterneço
E não sei me desprender

Ainda me entristeço
Por não enxergar um recomeço
Por não arrancar tal sofrer
Que corrompe todo o meu viver.

Ser Incompleto

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Sou um ser incompleto
Angustiado
Que corre
Por corredores escuros
Tateando as paredes
E não encontro a luz
E não encontro ninguém

Sinto dores
Atrozes
No que me resta
De humanidade
Quero gritar
Mas a garganta fecha
E sufoco em mim mesmo

O corpo inteiro
Parece explodir
Com os estilhaços
Que me rasgam por dentro
Tropeço e caio
Não sei se estou cego
Não sei nem se vivo

Uma fome
Que não é saciada
Tristezas que vêm
E nunca se vão
Apenas o horror
De estar preso
Num cômodo
Sem portas ou janelas

Quero sair
E não sei como
Não há caminhos
Que levem a alguma direção
Apenas a solidão...
A solidão...
Profunda em si mesmo...

Por que gosto tanto da noite?

Resultado de imagem para observando ceu a noite
















Por que gosto tanto da noite?
Porque à noite, com seu manto negro, nos cobre, protege e esconde dos olhares maldosos do mundo.

Porque gosto tanto da noite?
Porque as estrelas cintilam no céu, iluminando cada pequena esperança escondida nos recantos da alma.

Por que gosto tanto da noite?
Porque nas trevas ouso encarar a mim mesmo, meus temores e tristezas, sem que ninguém me veja fazer isso.

Por que gosto tanto da noite?
Porque no silêncio da madrugada meus pensamentos alçam suas asas e rompem a gaiola da razão.

Por que gosto tanto da noite?
Porque enquanto os outros dormem, a vida se manifesta em mim de forma convulsa e alucinada em turbilhão de insônia.

Por que gosto tanto da noite?
Porque, no escuro do claustro, posso dar vazão aos sentimentos e emoções que temo revelar a mim mesmo à luz do dia.

Por que gosto  tanto da noite?
Porque a noite, em sua magia, tudo encerra e liberta, tudo esconde e revela, tudo proíbe e liberta... contradições que se completam.

Ser noturno



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Os anos passam
Uns após os outros
E o vazio persiste
A solidão insiste
Sentido não existe

Ando pelas ruas
Nas noites escuras
O som ligado
O coração parado
Pensamento desnorteado

Sem entender razões
Motivos ou eu mesmo
Em frente tento
Seguir o momento
Tudo se faz lento

Não há respostas
Só ecos do silêncio
Rostos a passar
Nenhum a parar

Mero fantasma a rodar.

Olhos sinestésicos, olhar metafórico

Da janela dos meus olhos
Contemplo o mundo
Abro as persianas das pálpebras
E mais que cores posso perceber
Sensações táteis audíveis olfativas palativas
Olho a folha que cai da árvore
Ou o lago escuro sob o anoitecer
E sinto o labor do vento nesse olhar
Olho os inúmeros pássaros
E transeuntes que ao meu lado caminham
E ouço a singularidade dos sons que emitem pelo olhar
Olho as tonalidades harmônicas das flores
E a grama verde olorosa que se enegrece ao pôr do sol
E respiro os aromas da natureza com o olhar
Olho as frutas nascendo crescendo amadurecendo no pomar
E as abelhas em busca de pólen para criar o mel
E provo os diversos sabores apenas ao olhar
Olhos que riem, que choram, que sentem
Olhos que desvendam o interior
Com a contemplação do exterior.
Olhos que veem mais do que deveriam ver...


Ana Claudia Brida
22/08/2016
23h 47min.

Deixa Estar...



Às vezes, queria lhe arrancar dos meus pensamentos
Só para lhe dar um último abraço.
É improvável,
É impossível,
É irreal:
Sei de tudo isso,
Porém também sei o alívio
Que essa ação seria sob minha alma
Tão perdida e cansada.
Ficaríamos assim,
Presos num abraço mudo,
Esquecidos do tempo,
Distante das pessoas,
Somente nós dois,
Num mundo só nosso.
Sem mágoas, sem rancores, sem lágrimas,
Apenas permitindo-se estar presos,
Entrelaçados um ao outro.
Os únicos sons que eu escutaria
Seriam o da sua respiração em meus cabelos
E o bater do seu coração
E, se porventura, um de nós
Resolvesse o silêncio quebrar,
O outro o calaria dizendo:
“Shh! Deixa estar...”
Desta forma, a paz se faria
Em nossas vidas.

Ana Claudia Brida
31/05/2016

A quem deve se esquecer...


Ainda sinto seus cabelos correndo por meus dedos
Enquanto lhe acaricio durante o sono.

Ainda sinto seus olhos em mim, por trás das lentes
A me fitar ao chegar espavorida ao lar.

Ainda sinto seus braços ao meu redor
Para onde eu ia quando queria fugir do mundo.

Ainda sinto seu perfume pela casa e pelas roupas
Como um fantasma deixando seus rastros etéreos.

Ainda sinto o ritmo da sua respiração, adormecido
Quando tantas noites não dormia para ficar lhe olhando.

Ainda lembro do som da sua voz, das suas risadas
E até ouço e me vejo repetindo expressões que eram suas.

Ainda lembro do sabor e do tremor do seu corpo
Bem como dos arrepios em sua pele quando o amor se consumou.

Ainda lembro das lágrimas que lhe vi derrubar
E como ver sua tristeza me destruía por dentro.

Ainda lembro das histórias que você contava ao nos deitar
Inventadas, inspiradas, reais e repletas de vida.

Ainda lembro de cada momento mágico passado juntos
E como me sentia a mulher mais feliz do mundo.

Hoje tudo o que sinto é uma dor agonizante
Que muitas vezes em vão tento esconder das pessoas.

Hoje tudo o que lembro mergulha-me em insônia
Com constantes embates sobre o que fazer.

Hoje tudo o que sinto é que dentro de mim
Não cabe mais amor ou afeto que seja por outro indivíduo.

Mas ainda não encontrei a forma
Para que eu possa lhe esquecer
E só gostaria que isso tudo passasse...

Ana Claudia Brida
29/05/2016
03h 40min

Tempo



Quanto tempo é preciso para apagar alguém da memória?
Quantos rostos fitarei buscando encontrar os mesmos traços?
Quantas pessoas magoarei por meu coração hoje ser terreno inóspito?
Quantas madrugadas solitárias e nostálgicas são necessárias atravessar?
Quantos sonhos e pesadelos repetitivos são necessários para uma imagem desvanecer?
Quantas canções repletas de lembranças terão de ser esquecidas?

Por dentro, dúvidas e recordações corroem a mente
Causando uma sensação de vazio atordoante
Transformando-me em um alguém desconhecido para mim mesmo
Não há ódio, não há asco, não há indiferença
Apenas o contínuo falecimento das horas e das emoções
Como se caminhasse num estado sonambúlico pela vida

Como seguir em frente tendo deixado uma parte de si para trás?
Como esconder as cicatrizes dormentes da alma e do corpo?
Como reunir os pedaços de si que se estilhaçaram ao chão frio?
Como sentir algo de tamanho impacto por outra criatura nesta etapa da vida?
Como se preenchem esses espaços, essas lacunas em meu interior?
Como não mentir ou fingir para prosseguir com a alcunha de forte?

Não se causa o mal a quem lhe quer bem
Portanto, o que resta é fugir das alheias afeições humanas
Esperar que o tempo leve o vazio assim como levou as dores
As lágrimas secaram, o nó na garganta ficou
A pele outrora quente agora é tão fria quanto a alma
Cabelos caíram, rugas chegaram, vistas enfraqueceram

Resta uma tristeza profunda, sombria e suave
Resta um entorpecimento das ideias
Resta o vácuo, uma constante insatisfação e insaciabilidade
Resta a brisa congelante das noites estreladas que antecede o inverno
Resta a lembrança insistente que chega sem dar satisfação
Resta um pequenino elo de toda uma história


E o tempo, sempre o tempo, que consome a existência, mas não leva embora o que eu gostaria que partisse...

Ana Claudia Brida
09 de maio de 2016.
03h.

Fragmentos

Aquilo que ainda resta
Por trás da tristeza,
Dos anos que passaram,
Das noites sem dormir,
Dos lençóis emaranhados
Das lágrimas que caíram
E das que foram contidas.

Aquilo que ainda resta
Após esperar pelo o que não veio,
Das esperanças que desvaneceram,
Dos silêncios forçados,
Das dores mentais e físicas,
Das marcas que ficaram
Contra a vontade.

Aquilo que ainda resta
Dos poucos sentimentos que sobraram
E que não se compreendem,
Das pessoas que sumiram na estrada,
Das críticas e julgamentos,
Da hipocrisia de quem riu
Do seu sofrimento pelas costas.

Aquilo que ainda resta
Depois de se perder o caminho,
Perder os sonhos
E ser forçado a recomeçar

O que ainda resta senão fragmentos?
Fragmentos de alguém que não é inteiro,
Nem voltará a sê-lo;
Fragmentos de um quebra-cabeça
Para sempre perdido;
Fragmentos de uma pseudo-existência,
Com dúvidas e tormentos constantes;
Fragmentos de alguém que perdeu sua liberdade
Por não pertencer mais a si mesmo.

Aquilo que ainda resta,
Ao final de tudo,
Sempre serão os fragmentos
Do que podia ser
Mas não foi.


Ana Claudia Brida
02 fev. 2016

Restos

Uma constante dor consome

Dilacera a alma

E torna as noites insones

Pensamentos desenfreados

Lembranças e dúvidas

Angústias e tormentos

Tristezas e culpas

Perpassam pelo interior

Passatempos diversos

Nada preenche e suprime

A dor física não mitiga

O que vai por dentro

A vontade persistente

De o peito rasgar

Expurgando tal sofrer

Durante o dia

Um ser estranho

Enganando a si mesmo

E aos outros

À noite

Nas trevas da aflição

Apenas o silêncio

Sem lágrimas

Solução?

Aceitar as contradições

Sofrimento e temores

Entender-se

Conhecer-se

Permitir-se

Tal teoria

No entanto

Discrepante da realidade

Resta o vago, o vazio

E o fim?


Que fim?


Ana Claudia Brida
02 fev. 2016.

Poemas Olvidados



Há tantos poemas presos em mim
      mas minhas mãos cansadas não os deixam se libertar.
Há tantas palavas flutuando nos pensamentos
      mas incapazes de ultrapassar a barreira da carne.
Há tantos gritos sufocados, retidos na garganta
      mas que silenciam ao chegar aos lábios.
Há tantas lembranças que me tiram o sono
      mas ainda assim fecho os olhos à força para esquecer.
Há tanta dor que me aflige e consome
      mas que não encontra meios para extrapolar de uma vez.
Há tanto de mim espalhado pelo chão
      mas não consigo juntar os cacos para reconstruir o vaso.

Não há quem entenda
Não há quem sinta
Não há quem saiba
        mas resta a inércia que entorpece
                        a folha em branco almejando a tinta
                        o silêncio das noites vazias
                        a espera por um tempo que passe
                        e transforme a angústia em versos a se olvidar...

Marcas


Olho para minhas mãos e percebo marcas que antes não existiam,

Sulcos, cicatrizes que mostram a passagem do tempo.

Os anos se passaram, mudanças externas aconteceram

Algumas para melhor, outras acompanhando o ritmo da vida.

Os pensamentos, porém, que sempre permanecerão inconstantes

Ora tão profundos fruto de experiências, dores e aprendizado

Ora tão sensíveis e sonhadores como os de um adolescente.

Como se dois seres, absolutamente diferentes, dentro de mim morassem

Num embate cruel entre razão e emoção, constância e arrebatamento

Quanto mais a maturidade se aproxima e se revela

Mais evidente se torna a dualidade do meu ser

Respostas para antigas perguntas são encontradas

Em compensação novas dúvidas surgem avassaladoras

Perco o sono sem ainda saber qual o princípio das minhas ações

Se são realmente pensadas ou impetuosas, guiadas por instintos primitivos

Quantas teorias que, no passado, defendi veemente, caíram por terra

Quantas coisas que nem imaginei que aconteceriam me pegaram de surpresa

Quantas vezes tive de ser forte e sorrir quando por dentro tudo se estilhaçava

Quantas vezes o pranto correu por minha conta e risco, às escondidas

Quantas vezes convicta de que ia acertar em minhas escolhas, errava tremendamente

E noutras que supunha estar errada ou certa do fracasso, tudo ia bem.

Quantas vezes tentei racionalizar e negar meus sentimentos

Enquanto suspirava por viver um amor que nunca senti

A medida que o tempo transcorre mais percebo a incógnita que sou

Menos certeza tenha de tudo

Picos de ansiedade me atingem e se alternam com momentos de inércia

Já não penso no futuro, desejo apenas que venha junto com mais sabedoria

Do passado não tento esquecer, mas tirar lições

E o presente é o que desejo viver, cada instante

Cada mísero momento em que se possa aprender e desfrutar de algo

Libertar-me de ideias pré-concebidas, permitir-me o novo

Não me importa envelhecer, não importa que ainda mais marcas

Sejam infringidas pelo tempo contra mim

Quero apenas que, cada parte de mim, se torne uma pequena história

E que eu mesma possa escrever o meu final feliz.

Sonhos

Fecho meus olhos
Pois já não sei se devaneio
Acordada ou enquanto durmo

Na névoa que se forma
Em minhas retinas
Nuvens de sonhos

O mundo real
Agora não tem sentido
E sigo sem entendê-lo

Em minha mente
Sou o que quero
Faço o que desejo

Crio castelos de ilusões
Histórias sem finais
Mundos para me esconder

Encontro pessoas
Que me completam
Com pequenos gestos

Amizades verdadeiras
Conversas intermináveis
Amor com intensidade

Pessoas que eu gostaria
De uma vez mais abraçar
E entrelaçar as mãos

Pessoas que sustentam o olhar
Que trazem segurança
Conforto e ternura

Mas que ao amanhecer
Desvanecem em meus braços
Como neblina que se esvai

E ao abrir meus olhos
Sinto o orvalho
Das lágrimas que ali ficaram...

Nada apenas...

Tiro no escuro
Grito mudo
Caminho sem rumo

Pensamento obscuro
Passo surdo
Vida sem prumo

Sangue da ferida
Garganta que arde
Pés cansados

Tristeza recolhida
Medo covarde
Corpos despedaçados

Sem luz
Sem voz
Sem ânimo
Sem alma
Sem esperança
Sem nada

Nada é o caos que resta!