quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Letra de Música

Toda noite enquanto você dorme
Eu fico ali insone do seu lado
De leve toco em seus cabelos
Te amando em silêncio
Mergulhando fundo nos meus pensamentos

E dá um medo louco
De ficar sem você
Então, de mansinho, eu te abraço
Te prendo firme nos meus braços
E quietinho choro e agradeço
Por você ser muito mais do que eu mereço

                          E eu não quero nunca te perder
                          Perder todo esse amor e carinho
REFRÃO          Perder você de mim e eu de você
                          Você é tudo aquilo que sonhei
                          Se for pra perder prefiro nem viver

Toda noite enquanto você dorme
Eu fico ali sentindo seu respirar
O coração bater
Me aperto no seu corpo
E seu cheiro me faz endoidecer

Teu jeito doce me fascina
E cada dia mais eu só sei te querer
Então junto tudo o que eu sinto
Te prendo firme nos meus braços
E quietinho choro e agradeço
Por você ser muito mais do que eu mereço

REPETE REFRÃO

Eu não quero perder você...



A.C.Brida
11/09/2017

Heathcliff

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Na vida, sou Heathcliff
Aquele que sempre foi julgado
Por ser o que era, vilipendiado
E que teve seu afeto arrancado.

Por torná-lo um vilão
Não quiseram, em seu coração, ver o amor
Que, suplicante, pulsava em dor
E como a tudo se entregava com ardor.

Sua intensa forma de amar
Por todos foi encarada como doença,
Sendo que o único desejo era só a presença
Da amada que era toda a sua crença.

No transcorrer dos anos
Levaram-lhe tudo o que tinha real valor
E queriam que não sentissem o furor
Nem um fantasma tornar-se dos pecados seu remissor.

Na eternidade dos morros dos ventos uivantes
Restou apenas um homem apaixonado
A quem o direito de sentir foi privado
E, vulgarmente, por seus erros, sempre condenado...

A.C. Brida
31/10/2017

Meus Sonhos

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Tal qual o diáfano véu da noiva,
Assim são meus sonhos.
Num corpo cansado e velho repousam
Inocentes e tépidos anseios juvenis.

Sonhos que para tantos são comuns
Para mim são inatingíveis
De tal forma que me acostumei a guardá-los
Por baixo da poeira do tempo.

Desisti de compartilhá-los um dia
Quando notei que ninguém se importava,
Quando vi que promessas eram quebradas,
Quando percebi que virtude tornara-se luxo.

Gradativos, foram excluídos do mundo real
Refugiando-se apenas na dimensão etérea.
Tão simples devaneios que mal algum fariam,
Só desejavam se concretizar ainda nesta vida.

Existe recomeço para quem tanto errou?
Neste longo caminhar, percebo que já não há forças.
Há julgamentos, condenações, censura e abandono,
Mas não resta espaço ao onírico.

Diante desse caos em que vivemos,
Que nos falta amor, compreensão, bondade e perdão;
Eu observo ao redor e me resguardo
Para preservar a pureza e candura do que tenho de melhor:
                                                                                                 Meus sonhos...

A.C.Brida.
31/10/2017.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Templo ao Prazer


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O letreiro rubro
no alto do imóvel
a beira da estrada
ilumina a escuridão
da noite sem estrelas.

Enquanto veículos
vêm e vão
na rodovia infinita
corpos vêm e vão
do templo obscuro dos amantes.

Em cada cama,
perdidas entre os lençóis,
histórias e tragédias
de amor, paixão ou luxúria,
que continuaram ou terminaram.

Os quartos guardam
as lembranças de gozos
compartilhados ou egoístas,
inebriantes ou calculados,
lágrimas de prazer ou de dor.

Beijos, toques, atos de volúpia
de enamorados ou completos estranhos,
concedidos espontaneamente ou
cobrados em valores metafóricos,
rescendem, como fantasmas, pelas paredes.

Só a carnal presença
de um humano que busca
o conforto em um outro
é capaz de conceder
plena vida ao ambiente.

E na ausência dos seres
lá permanece como espaço
sagrado e secreto
encravado silencioso junto à via
esperando seu lascivo tributo
com as luzes vermelhas que não se apagam.

A.C. Brida
12/06/2017, 15h.30min.



sábado, 20 de maio de 2017

Monstro Interior

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Está chovendo, faz frio...
A única luz que fulgura,
Entre as trevas e a intempérie,
Forma meu reflexo
No vidro da janela.

Estou postado em pé,
Braços cruzados
Acolchoados ao casaco,
Cabelos e tez claros
Tal qual um suave fantasma.

Há beleza em meu semblante,
Mas fria e imortalizada,
Como a Vênus no mármore:
Linda e pétrea
E, ao mesmo tempo, etérea.

No entanto, os olhos
Refletidos na vidraça
Denunciam quem sou,
Mostram a dor que consome
E que, a custo, escondo...

Como o retrato que envelhece
E traz as marcas
Dos crimes cometidos,
Meu olhar revela
Todos os erros e falhas.

Cada pecado ou atrocidade,
Cometidos ou sofridos,
Enterrados no pântano
Da minha alma atormentada,
Carcomem esta existência.

Sou como a criatura errante
Que caminhou desconsolada,
Imersa nos próprios erros,
Nos gelos eternos
Tentando se encontrar

E que, em frente ao criador,
Questiona o universo
Regurgitando amarguras,
Porque no âmago
Só almeja um único desejo:

Apesar de todos os fracassos,
Pelo amor de um único ser,
Da humanidade se ausentaria.
Um único ser,
Que da podridão redimiria,

Um amante na aflição...
Muito mais que noites momentâneas
E que com a tepidez do corpo,
Aquecesse tal coração cadavérico,
Acendendo a centelha da esperança.

Talvez seja tarde demais
Para tais anseios juvenis
Neste espírito cansado e errôneo
Aprisionado aos grilhões
Da dor e amargura...

Talvez contemplar a chuva,
Num dia frio
E de tristezas infindas,
De longas noites profundas,
No distante ermo

Seja tudo o que ainda resta,
Tudo o que ainda é permitido
Para quem o monstro
Tem adormecido em si
Por trás da serena forma...


Ana C. Brida
16/05/2017, 02h


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Amar é...

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Amar é estar imerso em sofreguidão
Intercalando muitas alegrias e algumas tristezas.
Quando longe, agoniar-se querendo estar perto;
Quanto perto, sentir-se eufórico
Na loucura de aproveitar cada instante.

Amar é ter o pensamento atormentado,
Dividido entre certezas e incertezas
Numa completa bipolaridade de emoções.
É tentar compreender a si e ao outro
E mais uma vez mergulhar na incógnita universal.

Amar é colocar o coração em um frasco de vidro
E entregar nas mãos do ser amado
Confiando que será bem cuidado,
Temendo que cada solavanco o estilhace,
Sonhando que nunca será devolvido.

Amar pode ser paz e tranquilidade
Se quem se ama está ao lado
Quieto, terno, amoroso e sempre entregue.
Amar pode ser tormento e angústia
Se quem se ama está ausente ou frio.

E, por mais aflições que o amor possa causar
Todo momento gasto amando vale a pena.
Toda dor, toda ansiedade, toda dúvida
São elucidadas, quando, diante do ente amado,
Perde-se a razão entre infinitos beijos e abraços.

A.C. Brida
07/02/2017 - 08h

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Amar se aprende errando...

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As pessoas que melhor sabem falar sobre o amor
São justamente aquelas que muito erraram
Aquelas que falharam ao construir uma história
Aquelas que juntaram seus farrapos
E a partir dali costuraram uma colcha de retalhos com suas vidas
Aquelas que acreditavam e sonhavam demais
Aquelas que idealizavam algo perfeito
E dedicavam-se de corpo e alma
Mas ao final, tinham suas altas expectativas por terra
Aquelas que olhavam para o outro querendo encontrar sua metade
E depois descobriam o vazio do olhar alheio
Aquelas que confiavam que cada nova tentativa seria diferente
E se frustravam diante de mais um engano
Aquelas que queriam compartilhar da intensidade de um sentimento
E acabavam por se deparar com corações de pedra
São tantos fracassos, tantas desilusões, tanta humilhação
Tantas lágrimas no escuro do quarto
Tantas noites perdidas em braços estranhos e gélidos
Tantos olhares desviados em busca de reciprocidade
Tanta mágoa, angústia e tristezas transbordantes
Que mesmo em meio à própria dor
Há uma hiper sensibilidade desenvolvida
Uma capacidade desmedida na busca de amar
Uma empatia inexplicável para, ainda que destruído,
Conseguir ver o sofrimento do outro e compreendê-lo
E transformar isso em arte, música e poesia
É preciso ter amado e muito para extrair de si tanto significado
Afinal, já dizia o poeta... amar se aprende amando...
Ou quem sabe, errando...


A.C.Brida
02/02/2017 - 01h e 05min

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Quando Você Chegou

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Eu estava em paz
Adormecida das ilusões
Embriagando-me de solidão
Fugindo dos sentimentos
Esquivando-me do contato humano
Até você chegar...

Eu estava em casa
Quieta, entre músicas e vídeos
Entre literatura e álcool
Inspirada pela dor do vazio
Acostumada à minha realidade
Até você chegar...

Eu estava cética
Com relação à vida
Enclausurada na torre de marfim
Protegida pela fuga
Escondida no isolamento
Até você chegar...

Eu estava sozinha
Degustando a tranquilidade
Da ausência de emoções
Mergulhada em mim
Sem espaço para nada nem ninguém
Até você chegar...

E quando você chegou
Tirou-me a paz
Preencheu meu lar
Fez-me acreditar no amor
Com sua constante companhia
E já nem sei mais quem sou...

A.C. Brida
31/01/2017, 02:36

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Enquanto dormes...

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Silêncio no quarto
O único som a romper
É o teu ressonar

Deitado ao meu lado
Sonhas distante
Esquecido do mundo

A meia luz, insone,
Fico a te contemplar
Em tão íntimo instante

Acompanho teu peito
No suave respirar
E em ti me aconchego

Sinto teu coração bater
Forte e cadenciado
Transbordante de vida

E continuas a dormir
Sinto tua pele nua e pelos
Macios ao contato

Observo tua face
Tão linda e pacífica
Lábios entreabertos

Aspiro teu perfume
Que até quando não estás
Fica nos lençóis

Toda a tua visão
Enleva-me, embriaga-me
Preenche meu ser

Como um menino
Dormes em meus braços
E velo teu sono

Em alguns instantes
De tanta contemplação
Ímpetos me corroem

De acordar-te com beijos
Ou acariciar-te ternamente
Mas não consigo

Fico ali apenas a te olhar
Amando-te quietinha
Vivendo o doce momento.


A.C. Brida
27/01/2016 00:05

Dor em versos

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Meu corpo está febril
O alimento repugna à boca
Dor atroz permeia os membros
As têmporas latejam

Aflições da matéria
Mas que, em verdade,
Pertencem à agonia da alma
Devastada e desmantelada

Quando o caos o interior consome
Reflete em agonia externa
E não há bálsamo que alivie
Nem afeições que acalentem

A cama tal qual um sarcófago
Acolhe durante o tormento
Não vejo não ouço não falo
Apenas sinto-me corroer

Leva-me a estes estados
Emoções súbitas, pensamentos destrutivos
Lembranças boas perdidas
E más, do nada, recuperadas

Erros ao tentar acertar
Acertos não reconhecidos
Sentimento de impotência
Desalento, irritação ou cansaço

Mas, como tudo há de ter propósito
Também do delírio, da dor e da doença
Tiram-se profundas lições
Que transbordam em forma de versos.

Ana Claudia Brida
26/01/2017 23:22