Meu corpo está febril
O alimento repugna à boca
Dor atroz permeia os membros
As têmporas latejam
Aflições da matéria
Mas que, em verdade,
Pertencem à agonia da alma
Devastada e desmantelada
Quando o caos o interior consome
Reflete em agonia externa
E não há bálsamo que alivie
Nem afeições que acalentem
A cama tal qual um sarcófago
Acolhe durante o tormento
Não vejo não ouço não falo
Apenas sinto-me corroer
Leva-me a estes estados
Emoções súbitas, pensamentos destrutivos
Lembranças boas perdidas
E más, do nada, recuperadas
Erros ao tentar acertar
Acertos não reconhecidos
Sentimento de impotência
Desalento, irritação ou cansaço
Mas, como tudo há de ter propósito
Também do delírio, da dor e da doença
Tiram-se profundas lições
Que transbordam em forma de versos.
Ana Claudia Brida
26/01/2017 23:22
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