
As palavras fogem dos meus lábios
E balbucio incongruências
Os pensamentos imersos em confusão
Exaurem o cérebro
As memórias navegam no esquecimento
Tal qual barco a deriva no oceano.
Mergulho em um limbo
Em que tudo se perde, nada se ganha
No Letes, sigo deixando para trás
As lembranças umas seguidas das outras
Há momentos que a sensação de afogar
Engolfa o pensar e o falar.
O desespero ora consome
Quando se quer dizer algo
Ao qual pérfido olvido dissolve
Em suas profundas e turvas águas
E quando não consome
Intimida com silêncio sepulcral.
Quem sou, o que fui ou fiz
Escorre pelos dedos do tempo
Embotando o pouco de sanidade
Que ainda possuo em mente
Como demência precoce
Corroendo a identidade do meu ser.
Há um temor, angústia silenciosa
Que segue inundando por dentro,
Não apenas da alheia incompreensão,
Mas da úmida solidão, triste ausência,
A levar minhas parcas memórias
E não restar mais nada!
Ana Claudia Brida
21/05/2018
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