Às vezes, queria
poder arrancar a tristeza profunda que me consome o ser
Como se despe a
roupa do corpo, após um dia extenuante
Como se tiram os
sapatos depois de longa caminhada
Como se extrai a
farpa que penetrou fundo na carne
Como se arremessa
uma garrafa contra a parede e observa seu estilhaçar
Como a chuva a se
precipitar das nuvens com intensidade
Como o carro em alta
velocidade que some nas curvas da estrada
Como a saudade é
dissipada diante da presença de quem se ama
Como a dor
agonizante que, chegando ao extremo, arrefece os membros
Como o coração,
ainda pulsante, ao ser arrancado do peito
Como o sono da morte
que, enfim, concede o esquecimento
Mas, de tão
entranhada que está à minha alma
Não sei mais onde
eu começo e termino
Não sei mais onde
essa melancolia aguda começa e termina
Pungente e
silenciosa agonia a me devorar por espaços e tempos indefinidos...
A.C. Brida
26/10/2018
01h22min.
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