A espera da pessoa
Que fará a diferença
Em toda a existência
No entanto, tantas vezes,
Não nos apercebemos
Que a deixamos passar
Passar por que não enxergamos
Que era o que precisávamos
Em dado momento
Ou porque não tivemos forças
Para detê-la quando se foi
E a pessoa escoou por nossos dedos
Como grãos de areia
Sentimos assim a inércia
Das horas mortas
Do que poderia ter sido
E nunca foi nem será
Cogitamos a cada encontro
Com um novo alguém
Se a busca chegou ao fim
Tateamos corpos alheios
Enlouquecidos de desejo
E ânsia de ser o que nos preenche
Paixões, ilusões de momento
Que depois recaem no vazio
Vazio que conduz ao tédio
Tédio que leva a dor
Dor que gera angústias e dúvidas.
Caminhamos pela praia da solidão
Apenas com a sombra fugidia
A fazer companhia
Na noite em que até as estrelas fugiram
E o luar é tênue entre nuvens
Sentindo a falta de uma pessoa
Uma única pessoa
Capaz de nos fazer em pedaços
Revelando nossas fraquezas escondidas
Os medos mais guardados
As esperanças mais remoídas
E quem sabe para encontrar essa pessoa
Não seja preciso, primeiro,
Olhar para o próprio reflexo no espelho.
Ana Claudia Brida
05/10/2016
01h e 27

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