domingo, 4 de setembro de 2016

A quem deve se esquecer...


Ainda sinto seus cabelos correndo por meus dedos
Enquanto lhe acaricio durante o sono.

Ainda sinto seus olhos em mim, por trás das lentes
A me fitar ao chegar espavorida ao lar.

Ainda sinto seus braços ao meu redor
Para onde eu ia quando queria fugir do mundo.

Ainda sinto seu perfume pela casa e pelas roupas
Como um fantasma deixando seus rastros etéreos.

Ainda sinto o ritmo da sua respiração, adormecido
Quando tantas noites não dormia para ficar lhe olhando.

Ainda lembro do som da sua voz, das suas risadas
E até ouço e me vejo repetindo expressões que eram suas.

Ainda lembro do sabor e do tremor do seu corpo
Bem como dos arrepios em sua pele quando o amor se consumou.

Ainda lembro das lágrimas que lhe vi derrubar
E como ver sua tristeza me destruía por dentro.

Ainda lembro das histórias que você contava ao nos deitar
Inventadas, inspiradas, reais e repletas de vida.

Ainda lembro de cada momento mágico passado juntos
E como me sentia a mulher mais feliz do mundo.

Hoje tudo o que sinto é uma dor agonizante
Que muitas vezes em vão tento esconder das pessoas.

Hoje tudo o que lembro mergulha-me em insônia
Com constantes embates sobre o que fazer.

Hoje tudo o que sinto é que dentro de mim
Não cabe mais amor ou afeto que seja por outro indivíduo.

Mas ainda não encontrei a forma
Para que eu possa lhe esquecer
E só gostaria que isso tudo passasse...

Ana Claudia Brida
29/05/2016
03h 40min

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