domingo, 4 de setembro de 2016

Fragmentos

Aquilo que ainda resta
Por trás da tristeza,
Dos anos que passaram,
Das noites sem dormir,
Dos lençóis emaranhados
Das lágrimas que caíram
E das que foram contidas.

Aquilo que ainda resta
Após esperar pelo o que não veio,
Das esperanças que desvaneceram,
Dos silêncios forçados,
Das dores mentais e físicas,
Das marcas que ficaram
Contra a vontade.

Aquilo que ainda resta
Dos poucos sentimentos que sobraram
E que não se compreendem,
Das pessoas que sumiram na estrada,
Das críticas e julgamentos,
Da hipocrisia de quem riu
Do seu sofrimento pelas costas.

Aquilo que ainda resta
Depois de se perder o caminho,
Perder os sonhos
E ser forçado a recomeçar

O que ainda resta senão fragmentos?
Fragmentos de alguém que não é inteiro,
Nem voltará a sê-lo;
Fragmentos de um quebra-cabeça
Para sempre perdido;
Fragmentos de uma pseudo-existência,
Com dúvidas e tormentos constantes;
Fragmentos de alguém que perdeu sua liberdade
Por não pertencer mais a si mesmo.

Aquilo que ainda resta,
Ao final de tudo,
Sempre serão os fragmentos
Do que podia ser
Mas não foi.


Ana Claudia Brida
02 fev. 2016

Nenhum comentário:

Postar um comentário