domingo, 4 de setembro de 2016

Poemas Olvidados



Há tantos poemas presos em mim
      mas minhas mãos cansadas não os deixam se libertar.
Há tantas palavas flutuando nos pensamentos
      mas incapazes de ultrapassar a barreira da carne.
Há tantos gritos sufocados, retidos na garganta
      mas que silenciam ao chegar aos lábios.
Há tantas lembranças que me tiram o sono
      mas ainda assim fecho os olhos à força para esquecer.
Há tanta dor que me aflige e consome
      mas que não encontra meios para extrapolar de uma vez.
Há tanto de mim espalhado pelo chão
      mas não consigo juntar os cacos para reconstruir o vaso.

Não há quem entenda
Não há quem sinta
Não há quem saiba
        mas resta a inércia que entorpece
                        a folha em branco almejando a tinta
                        o silêncio das noites vazias
                        a espera por um tempo que passe
                        e transforme a angústia em versos a se olvidar...

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